sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Andando de executivo no dia mais quente da história de BH

Boa noite amigos!!! Hoje é o ultimo texto de minha autoria que vem ao ar em 2015, e nada mais justo que encerrar com o estilo de texto que iniciei o ano: diário de bordo. No texto de hoje falo sobre o dia que fui andar de ônibus executivo, dia que coincidentemente foi o mais quente de toda a história de Belo Horizonte e envolveu uma mini missão impossível, ar condicionado e uma ida a Cidade Administrativa. Boa leitura a todos!!!
Fazia muito calor em Belo Horizonte naqueles dias, e a esperança de alívio nunca vinha. Como eu havia um passe que havia achado, na sexta-feira (06/11/2015) resolvi me refrescar e testar o serviço executivo, que custa módicos 6,40, que opera com Caio Foz Super II Mercedes-Benz OF1722M/59, de cor cinza claro e escuro, que conta com mimos como Ar Condicionado com escotilhas individuais, Wi-Fi, poltronas turismo fixas, TV, Cortinas e bagageiro interno. Tentei procurar um amigo para me acompanhar no trajeto, mas a falta de tempo deles ou os 6,40 acabaram fazendo com que eu tivesse de ir sozinho. Um pouco antes de sair, resolvi conferir o horário, e vi que as partidas dele são de 35 em 35 minutos, ou seja: eu teria 80 minutos pra sair da minha casa, na região do Barreiro, descer no Chevrolet Hall e ir a pé até a Rua Alagoas, número 1485, uma caminhada de 750 metros, pois eu sairia de casa 12:30 e o ônibus executivo partiria 13:50. Saí de casa, como sempre nos ônibus de sempre, e eu fui no ônibus com uma amiga, que estava indo a aula. Durante a ida, eu estava ligado no SIU Mobile BH (app que dá pra ver em quanto tempo o ônibus chegará ao ponto, clique aqui para baixar em seu smartphone Android com versão acima da 2.1 e aqui para baixar em seu iPhone com versão acima da 6.0) conversando com os amigos, e como não havia nenhuma partida prevista após 13:00 no SIU, perguntei a um amigo quais seriam as próximas partidas, e ele disse que era 12:56 e 13:02, e aí eu falei que ia no das 13:02. Cheguei a Estação Diamante, comprei uma coisa, depois comprei o cartão unitário, inseri na catraca e passei. O carro 30402, um Apache S22 OF1722M da Bettania Ônibus, já estava parado e dando embarque. Como já tava quase na hora dele sair, só tirei uma foto mais ou menos e entrei. Pontualmente as 13:02 ele saiu.
Carro que utilizei até perto de onde peguei o executivo. Foto: Moises Magno.
O motorista, pro meu mais puro azar, era deitão. Até em descida o cara me inventava de deitar, até no Anel Rodoviário ele deitou, só que ele se mostrou um motorista com habilidade de escapar de prováveis retenções (o que me salvou pra carvalho), já que no Anel em um dos pontos ele ultrapassou duas carretas pela esquerda, e no retorno para pegar a BR-356 sentido BH ele repetiu a manobra, mas ali ultrapassamos veículos de passeio e um ônibus da Saritur. Mas depois ele voltou a deitar. No BH Shopping, uma pequena retenção, ele se desvencilhou facilmente. Mas chegando no Ponteio Lar Shopping, o trânsito parou. Mas outra vez, a sorte mostrou estar do meu lado e saímos rápido do trânsito. E finalmente o motorista havia resolvido acordar pra vida, por que ali ele andou rápido. Exatamente as 13h42 desci no Chevrolet Hall. A parte do trajeto feita por ônibus estava encerrada, mas faltava a parte a pé. Eram 750 metros que deveriam ser percorridos. Segundo o Google Maps, o trecho deveria ser percorrido em 10 minutos. Mas eu tinha apenas 8 minutos extremamente contados, então larguei o folhas e fui andando mesmo assim. O primeiro desafio era atravessar a Nossa Senhora do Carmo em segurança. Como eu ainda não podia, e até hoje (10/11/2015, dia que estou escrevendo esse texto) ainda não posso voar, o jeito foi aguardar para fazer a travessia na faixa. E essa era a travessia mais demorada que havia visto tipo, na vida. Foram 2 preciosos minutos perdidos, eu não tinha pra onde fugir (eu estava ilhado no meio da Nossa Senhora do Carmo, era sair e ser atropelado) e menos tempo pra caminhada, que a aquela altura teria de virar corrida mesmo. Apressei o passo ao máximo que pude, porém eu tinha outra travessia: a da Contorno antes da Cristóvão Colombo. Eu devo ter perdido mais um minuto que eu não tinha, mas entre chegar na Alagoas e chegar no João XXIII, a Alagoas tava infinitamente mais perto, então esperei. Consegui atravessar e fui andando bem rápido, mas quando vi um executivo chegando, comecei a correr pra caramba, fui, e quando cheguei o 60010, um Foz Super II OF1722M da Sidon, estava já de portas fechadas, mas ainda estava parado. Dei 3 batidinhas na porta e o motorista abriu (sem bruxaria nenhuma).
Ônibus executivo que utilizei naquele dia. Foto: Tiago Baldan.
Muito atencioso, ele respondeu uma pergunta que o fiz, paguei e passei. E fui prestando atenção ao ônibus. Todas as cortinas estavam fechadas, os bancos pareciam de ônibus rodoviários, todos tinham encosto para o braço. Ele estava vazio, só havia eu e uma passageira a bordo. O ônibus enfim saiu do ponto, e fomos rodando. A primeira impressão é que mesmo sendo 1722, não ficou devendo nada. O ônibus entrou na Cristóvão Colombo e pegamos mais um passageiro. E demos segmento a viagem. Na Afonso Pena pegamos os últimos 2 passageiros e fomos rumo a Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais. O ônibus andou muito bem pelo trajeto, realmente não ficou devendo nada em desempenho, nem parecia que eu estava em um 1722. O que realmente faltou foi o Wi-Fi funcionar bem (ele existia, mas o sinal era fraco demais), mas fora isso, foi um excelente passeio ao som de 98 Futebol Clube e Ricardo Amado. A viagem durou 47 minutos ao todo, foi um bom passeio, com um visual muito bom, e que pretendo repetir em breve. Chegando na Cidade Administrativa, resolvi dar um passeio, afinal, eu tava lá mesmo, seria injusto ver tudo só do ônibus e ir embora. Como o SE01 deixou perto do PC da linha interna, tomei o 08, um Caio Millenium BRT Scania K250UB, e desci do outro lado. Vim andando por entre os prédios, passei no Centro de Convivência, e depois fui embora. Após esperar um pouco, iniciei a volta pra casa.
Ônibus interno da Cidade Administrativa que utilizei. Foto: Flávio Oliveira.
Até a Estação Vilarinho fui de 642, no carro 10259 da Milênio, o carro tava muito bom, bem limpo, e foi vazio até. Na Vilarinho tomei um lanche, por que ninguém é de ferro, e ~1h me esperava no 6350. Voltei e peguei o carro 30638, um Caio Millenium BRT Mercedes-Benz OF1724L BT5 pertencente a Viação Zurick, na linha 6350. O mais curioso é que em 17 de Outubro eu havia ido pra um outro rolê com um amigo e voltamos neste mesmo carro, na viagem de 16:00. E menos de 1 mes depois, estava eu ali de novo, andando naquele carro na mesma viagem. O carro estava muito bom, o Ar tava gelando bem (padrão Zurick) e os passageiros eram bem calmos. Porém as retenções fizeram com que o trajeto durasse 75 minutos, chegando 17:15 até o Barreiro. Desci e vi um ônibus chegando pra dar embarque no 330. Atravessei o bloqueio e fui pegar ele, era o carro 40123 da Transoeste Transportes, e torcendo pra mim conseguir chegar num local onde o 330 e o 310 tinham trajetos semelhantes antes do 310, pra eu trocar de ônibus. Mesmo espremido na porta e com a mochila presa pra fora, fui, afinal de contas, tinha hora pra cumprir. Consegui fazer esse trajeto a tempo, e peguei o 310, pondo fim a um rolê regado a Ar Condicionado.
Agradeço a todos por terem lido, e até a próxima!!!

sábado, 5 de dezembro de 2015

O Transporte Coletivo Impecável: Até onde é responsabilidade da Autarquia e até onde é responsabilidade do usuário? - por Freddy Mendes

Olá amigos, boa tarde!!! Hoje postando atrasado por motivos de força maior, mas mesmo assim postando. E hoje vamos com um texto de autoria de Freddy Mendes, onde ele faz uma análise sobre o transporte coletivo. Sem mais delongas, vamos ao texto. Boa leitura a todos!!!

Mobilidade Urbana: Um tema que tem ganhado a atenção das pessoas, até pela implantação de muitos BRTs, seguindo o modelo de Curitiba (que cá entre nós, se não fosse à briguinha política continuaria o melhor do país), obras em prol da copa e tudo mais. Concessão de Metrô, VLT, obras do tipo.  E o que tem de gente que virou especialista de uma hora para outra não é brincadeira. Até a imprensa dá seus palpites. Mas o que me incomoda mais nisso tudo é que, infelizmente, tudo agora é peixe eleitoral. O tema popularizou, a copa foi embora. E aqui em Belo Horizonte, o BRT Move ficou.
Avenida Santos Dumont, no Centro de BH. O fluxo da avenida passou a ser exclusivamente do MOVE. Foto: Luísa Zottis/EMBARQ Brasil
E foi o grande divisor de águas de Belo Horizonte. Porque finalmente o BHBUS conseguiu bater sua meta, que é implantar o modal tronco-alimentador. 18 anos depois de sua implantação... Mas é aquele velho ditado: Antes tarde do que nunca. Talvez você, caro leitor, tenha consciência da importância desse modelo. Talvez não tenha a menor ideia do que eu estou falando. Mas é importantíssimo lembrar que Belo Horizonte precisa pra ontem ampliar o que já foi começado e claro, ter muitas melhorias e manter seu potencial pra tirar de Curitiba o posto de melhor BRT do Brasil.

“Mas Freddy, isso é possível?”

Sim, é. Estruturalmente falando, o Move é mais flexível do que o BRT de Curitiba, do Rio de Janeiro, entre outros. Isso dá um poder que os outros sistemas não têm que é de estabelecer conexões diretas entre os vários corredores da cidade. Parece pouco, mas dá um leque de opções para o cara que tem que desenvolver e projetar todo o sistema. E dá condições também para que a população em si tenha iniciativa em participar do sistema, propondo novas linhas, sugerindo trajetos, ligações e coisas do gênero. É lindo. E depois, o Sistema de Curitiba vem num declínio assustador, por conta de desavenças políticas.

Entretanto, eu vejo muita gente reclamando mundos e fundos do transporte coletivo por ônibus de uma maneira geral. Mas não movem um único dedo para mudar o que está ruim. Especialmente quando se tem tantas possibilidades como há no Move. O que eu vejo são pessoas reclamando ao vento. E reclamar ao vento, não dá.

Eu falo disso porque senti no Move parte da solução para o caos que era o transporte coletivo de Belo Horizonte. Tanto que fiz sugestões pontuais, que foram encaminhadas. Sugestões que a meu ver tornariam o sistema completamente integrado, permitindo com que o cliente do sistema consiga ir do Pedra Branca (extremo norte) até o Alameda da Serra (extremo sul) na mesma tarifa. Falo isso não com intuito de me gabar ou coisas do tipo, mas pra levantar uma questão que no fundo é interesse de todo mundo, mas ninguém tira tempo pra debater: O quão participativo nós somos nessa questão? O que nós fazemos de efetivo ao invés de reclamar aos quatro cantos que o sistema esta ruim?

Nada.

Pois é, NADA. O pior é que, além disso, as pessoas meio que “se desculpam” se baseando no argumento de que se fosse Metrô seria diferente. Eu acho que não. Digo mais, eu TENHO CERTEZA que não. Por duas razões:

1º - Ou são muito manipulados por meia dúzia de gatos pingados, ou não há o mínimo de interesse em saber qual é a real essência do tema. O importante de todo conceito não é envolver Metrô, BRT, ônibus convencional, Monotrilho, VLT e afins. O que tá todo mundo esquecendo é que qualquer sistema de transporte coletivo, independente de seus modais, precisa garantir que o cliente do sistema se desloque de qualquer lugar para qualquer lugar numa mesma tarifa. Vai além de um simples “se mover”. E a escolha entre um BRT ou Metrô é uma discussão secundária, que vai com as características de cada cidade. E hoje, BH começa a ganhar isso.

2º - A falta pela busca de informações e consequentemente suas conclusões sem fundamento. Também conhecido como o papel de palhaço. Tem gente que adora fazer isso. Especialmente quando se trata do entrave da obra do Metrô. Há quem diga que a L1 não chega a Betim porque a Santa Edwiges não deixa, e que o SETRA-BH não deixa o metrô ser expandido na capital. E nessas vezes eu me sinto como se eu fosse a única pessoa capaz de pensar nessas horas. Eu vou levar a questão por um único lado. Se isso não for o suficiente, você não tem salvação: Acham mesmo que o SETRA-BH, passando o aperto que tá passando por conta de um arremate de veículos que girou em torno de 300 milhões de reais vai ter condições financeiras de impedir uma obra bilionária, como é a do Metro-BH? Só precisamos dessa resposta.
Foto: Luísa Zootis/EMBARQ Brasil
É rapaz, cada criança igual a essa que está na foto saiu em média 700 mil reais. Temos quase 200 veículos desse tipo para o serviço.

E aqui, por não ser o tema principal do blog, nem convém entrar no lado técnico sobre o Metrô. Aí, numa cultura onde a gente vive esperando que o governo dê as coisas pra todo mundo ao invés de tomar uma iniciativa, é melhor acreditar numa situação autoimune, que é a teoria da conspiração, do que se levantar, e pensar alguma coisa. Eu fiz. O Eric Fez. E aí, vai fazer também ou vai reclamar da vida o tempo todo? Por mais que a sua ideia possa parecer inviável naquele momento, dela pode nascer algo que vá melhorar a vida de outras pessoas. Por isso, não se acanhe. Sabe aquela ideia que você tem? Trabalha nela, vê locais, entenda demanda, mande pra autarquia e coisas do tipo. Vai lá e prova que sua ideia vale a pena. De repente, juntar a associação de moradores no meio. Faça qualquer coisa. Mas faça alguma coisa. É melhor do que ficar reclamando para o vento de que as coisas estão ruins.

Outra coisa: Não faça por mim. Faça por você. Afinal, a responsabilidade da Autarquia e do Município é de fazer funcionar. A responsabilidade por opinar e dar ideias é sua.

Por enquanto é só, galera.

Abraços,
Freddy Mendes.
Agradeço a todos por ter prestigiado o texto do Freddy, peço desculpas pelo atraso, abraços e até a próxima!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O monopólio é vantajoso? - por Mike Cardoso

Olá amigos, boa tarde!!! Excepcionalmente hoje estamos publicando no meio da tarde de sexta. O texto de hoje foi escrito por Mike Cardoso, e faz uma pergunta a vocês: o monopólio é vantajoso?
Em muitos lugares do Brasil existe a livre concorrência de carrocerias e chassis. Mas há lugares que somente uma montadora e encarroçadora dominam. Vamos a um exemplo.
Em São Paulo há o domínio quase absoluto da Induscar/Caio e da Mercedes-Benz. Por um lado é bom. Visto que a assistência técnica e a resolução de problemas fica fácil de resolver. Mostra que o seu produto pode estar em outros mercados, tendo como referência uma megalópole, como São Paulo.
Millennium BRT Superarticulado. Foto: Mike Cardoso
Por outro lado, pode mostrar ainda mais os defeitos, a falta de variedades e deixa de ter outras possibilidades, fazer comparartivos e ainda por cima pode receber críticas mais pesadas de quem entende do assunto e até uma visibilidade maior de problemas.
No caso da Cidade de São Paulo, a concorrência é quase que desleal. Praticamente não há opções diferentes de carrocerias. O que torna para nós entusiastas, uma chatice. E deixa de ter atrativos.

Respondendo a pergunta.
O monopólio é vantajoso? Claramente a resposta é NÃO.

Mike Cardoso
DIRETO AO ASSUNTO.
Esse foi o texto do Mike, espero que tenham gostado, abraços e até a próxima!

sábado, 21 de novembro de 2015

Ônibus Mineiro 1 ano - nossa história

Olá amigos, boa tarde!!! Hoje, fora do nosso dia e horário habitual, anunciamos que hoje, 21 de Novembro de 2015, comemoramos 1 ano de Ônibus Mineiro. É uma marca que merece ser comemorada, e para isso, vamos logo ao texto. Como de costume ao longo desses 1 ano, boa leitura a todos!
Como dizia o jingle de um determinado banco, "O tempo passa, o tempo voa." E não tem outra frase melhor para descrever os 1 ano de Ônibus Mineiro. Parece que foi ontem que, na tediosa madrugada de 19 de Outubro de 2014, deitado no meu quarto ouvindo rádio, abri o bloco de notas e fiz o primeiro texto, Conhecendo (e me surpreendendo com a Scania). Ter um espaço próprio na internet já era um desejo meu desde 2008, quando comecei a participar efetivamente da busologia. Tentei ter vários projetos, porém por falta de foco, timing e oposição a minha pessoa, nenhum deles ia pra frente. Porém em 2014, depois de tanto ler os excelentes textos do Marcelo Castro, do Rodoviária Digital, que especialmente aqui, eu considero meu mentor, eu tive a ideia de fazer um blog. Foi 1 mês aproximadamente construindo o blog, até que no inicio de Novembro já estava quase tudo pronto, e enquanto isso eu escrevi mais 4 textos, ordenados assim: O irmão do Doppio mais famoso de BH, escrito no dia 21 de Outubro de 2014, Primeiro dia de circulação do MOVE, o BRT de BH, no dia 23 de Outubro de 2014, A caminho de São Paulo, escrito no dia 29 de Outubro de 2014 e por fim um quarto texto não foi publicado, e decidi escrever novamente por estar detalhista demais.
Carro que foi tema do primeiro texto que eu escrevi para o blog. Foto: Adão Marcelino/Ônibus Brasil
A estratégia de divulgação já estava traçada e o horário de publicação definido. Eu tinha a ideia de lançar o blog no dia 14 de Novembro, uma sexta, porém apareceu a viagem a Ouro Preto e Mariana, relatada por meio do texto Uma viagem com desconhecidos, e por 1 longa semana ficou no "vai, não vai", então decidi adiar pro dia 22, viajando ou não. E fiz bem, o resto da história vocês conhecem. Na noite de 21 de Novembro de 2014, era dada a largada a este blog, onde escolhi publicar o terceiro texto escrito.
Ônibus que eu embarquei no dia 08 de Março de 2014, com destino ao Centro de Belo Horizonte (depois eu troquei de ônibus), e que esteve presente no primeiro texto do blog. Quando eu embarquei nele, eu sabia que estava indo participar de um dia importante na história da mobilidade urbana de Belo Horizonte. Só não sabia que eu estava indo também escrever um novo capítulo da minha história. Foto: Bruno Fernando/Ônibus Brasil
Daí em diante fui escrevendo vários textos, incluindo os primeiros textos que tiveram uma grande repercussão numérica, primeiro veio o Conhecendo (pra valer) a Scania, que foi o primeiro texto a abrir larga diferença na contagem de views, e hoje está no 7º lugar do top 10 geral, e depois o Especial de Carnaval: Sobrevivendo a uma viagem de 12 horas em um ônibus sem AC e banheiro, que foi uma releitura de um texto escrito em 2010. A partir daí, tive que parar o blog por umas semanas, e voltei já com o esquema de publicações a cada 15 dias. Com isso, Março foi o pior mês do blog, alcançando apenas 154 views no mês inteiro, o que era menos que o mês de estreia e era o que a publicação mais vista até então havia alcançado sozinha.
Carro que foi tema de um dos textos publicados em Março.
Fui obrigado a reagir para o blog não cair no ostracismo e ter o mesmo fim de outros projetos antigos, e assim adotei o formato adotado atualmente: 3 publicações mensais, com intervalos dimensionados conforme demanda pessoal (viagens e compromissos nas sextas-feiras) ou o número de sextas no mês. O início era pra ter sido na primeira semana de Abril, mas na semana em que seria o início, perdi um familiar e nem teve clima pra postar, mas na semana seguinte iniciou a melhor fase do blog. Iniciei com 2 textos que foram bipartidos e depois veio os primeiros convidados. O resultado veio em seguida: alcançamos um numero maior de visitas. E em Maio, os números continuaram subindo. O primeiro texto famoso do novo formato veio de um editor convidado, que falou de um tema bem polêmico, a Queda da qualidade da Marcopolo.
Carro que fez parte de um dos textos de maior repercussão do blog. 
Porém na busologia eu sofria ataques de pessoas oportunistas, mas o blog foi um dos instrumentos de superação contra os ataques, pois como disse uma vez Marcelo Castro, "mesmo enfrentando todas as putarias de certos indivíduos, temos que continuar na ativa." Na mesma semana do primeiro ataque, eu publiquei o maior sucesso de todo o blog: Itapemirim e Pluma, o que elas tem em comum? Na segunda semana após sua publicação, ele já havia superado o número de views de todos os textos escritos até então, e até hoje ele segue fazendo sucesso, pois é o lider do top 10, com 544 visitas, e mesmo depois de 5 meses de sua publicação, lidera o top 10 mensal e o top 10 semanal. Em julho, eu publiquei outro texto que fez sucesso: Flecha 7455: a lenda, o mito. Atualmente está em 3º lugar nos mais vistos de todo o blog.
Top 10 Ônibus Mineiro.
E assim viemos, mesmo com os percalços, chegamos a 4 mil visitas, e sem mudanças bobas ao longo do tempo, como nos meus antigos projetos. Apenas um unico texto foi publicado fora da sexta-feira, a interface do blog só foi mudada para o aniversário do blog, e somente hoje estou testando esse dia e horário, e por motivos de força maior testarei outro horário na sexta, mas a minha intenção é continuar as sextas 20:00, que é o que vocês estão habituados. Pessoalmente, eu me sinto muito feliz com este projeto, que tem tido uma repercussão que eu não imaginava ha 1 ano atrás, e agora é preparar para o futuro. Novidades estão sendo preparados, e na semana que vem, finalmente, voltaremos com os textos de costume.
Abraços e até a próxima!!! 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Como as nossas postagens são criadas?

Olá amigos, boa noite!!! Abrindo as comemorações de 1 ano de blog, primeiramente com novo visual e a presença em novas mídias, hoje falarei sobre o processo de criação de uma postagem do blog, e anunciarei um pouco das novidades. Boa leitura a todos!!!
A maioria de vocês, leitores, já pegam as postagens prontas, só apreciar, porém hoje, para abrir as comemorações pelo 1 ano de blog, vou abrir pra vocês o processo de construção das postagens. Pra começar, o processo começa bem antes da sexta-feira, pois todo texto precisa ter um tema e uma inspiração, e a primeira fase é exatamente isso: procurar um tema e uma inspiração. Como eu não tenho uma equipe de redação, eu mesmo pego algum assunto (seja viagem, ou atualidades, gênero que venho explorando desde setembro, e que pelo andar da carruagem, ganhará força nesse segundo ano) e a medida que as idéias vão surgindo, começa a segunda fase, que é a redação do texto. Esta fase é a fase mais improvável, pode durar um ou 2 dias, bem como semanas ou até mesmo um mês, como no texto Conhecendo (pra valer) a Scania, que demorei 28 dias para concluir. Geralmente eu redijo todos os textos no meu smartphone, apenas 2 textos foram redigidos no PC (Top 6 - Viagens de 2014 e o Especial de Carnaval: Sobrevivendo a uma viagem de 12 horas em um ônibus sem AC e Banheiro) e um foi finalizado nele (Uma viagem com desconhecidos), esses eu demorei entre 1h30 e 2 horas. 
Carro que foi assunto do texto Conhecendo (pra valer) a Scania.
Geralmente os textos do celular são feitos sem quaisquer formatação, só com as quebras de linha - isso quando há. Terminado o texto, é a hora de passar para o computador. Como nesse tempo de blog tive dois celulares, em cada um o sistema de transferência é diferente. No atual, como há uma limitação de 1500 caracteres por nota (aliás, acabou de cortar agora, entrei na segunda), assim os textos geralmente são divididos em 2, 3 ou 4 notas (o texto Explicando a Resolução 4777 da ANTT por exemplo, chegou a 5 notas). Aí eu tenho que passar nota por nota pro PC, geralmente uso o whatsapp web ou o chat do facebook. Já no outro eu não tinha a limitação de 1500 caracteres, eu escrevia direto e podia usar o Google Drive pra transferir pro PC, tanto que alguns textos estão lá. 
Comboio Needs Tur, que esteve presente nos textos Conhecendo a Volvo na 262.
Encerrada esta fase, vou para a última fase antes do Blogger. A terceira fase é a pesquisa de imagens e links externos. Como vocês devem ter reparado, muitas imagens não são de minha autoria. Então tenho que buscar fora do blog. Os links externos também são buscados fora. Depois de localizar, finalmente vou pra quarta e ultima fase, onde eu começo a trabalhar no blogger. Eu coloco o texto pronto, e só ali eu divido os parágrafos. Com os parágrafos divididos eu lanço as imagens e legendo-as. Depois eu insiro os links externos, por fim eu coloco a introdução e a conclusão e pra encerrar dou o título pro texto. Aí sim o texto está pronto para ir ao ar. E o resto, é com vocês!!!
  • Aniversário e novidades
Bom, este mês é o aniversário do blog, que teve o primeiro texto, sobre o primeiro dia do MOVE, BRT de Belo Horizonte, publicado no dia 21 de Novembro de 2014, e isso merece uma comemoração. Para dar a largada, está no ar o Instagram do blog, que você pode acessar clicando aqui. Acesse e siga-nos! Outra novidade, é que o blog está de cara nova, e eu espero que tenham curtido. Em breve teremos mais novidades, mas em hora oportuna irei divulgar. Aqui no blog, como já estamos próximo das festas de fim de ano, comemoraremos nosso aniversário e o fim desse ano, que merece ser muito comemorado, pois apesar das dificuldades, todos nós (tanto eu quanto vocês) vencemos, com a graça de nosso Deus. Assim, teremos publicações em todas as semanas até o dia 18/12, com convidados especiais. IMPORTANTE: NA PROXIMA SEMANA, EM VIRTUDE DO ANIVERSÁRIO DO BLOG, A PUBLICAÇÃO OCORRERÁ NO SÁBADO.
Assim me despeço de vocês, desejo uma boa noite, e até a semana que vem.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Explicando a resolução 4777 da ANTT

Olá amigos, boa noite! Hoje explicarei a resolução nº 4777 da ANTT, que tem divido opiniões e causado polêmicas. Ela tem 18 páginas, 71 artigos divididos em 7 seções, fora os paragrafos e incisos, portanto fiz um resumo explicativo da mesma. Antes de iniciar o texto, devo esclarecer que nada do que contem aqui, foi inventado de minha cabeça. Quem quiser tirar a prova, clique aqui para baixar e ler a resolução integralmente. Boa leitura a todos!!!
 Muito tem se comentado sobre a resolução 4777 da ANTT, que delibera sobre o Turismo, modalidade turística (veículo contratado para deslocamento em circuito fechado), eventual (cujo contratante aluga o veículo para uma viagem) ou contínuo (para várias viagens). Ela tem gerado controvérsias e teorias conspiratórias em vários e vários pontos, causados por má interpretação do leitor, excesso da exploração do linguajar técnico por parte da ANTT e a desconexão da resolução (já que várias partes únicas estão espalhadas, sendo necessário ir e voltar várias vezes), por isso estou escrevendo o texto. Antes de começarmos a destrinchar inciso por inciso, lembro que a resolução delibera apenas sobre o turismo interestadual e internacional, portanto cada estado tem a sua normativa, impostas pelas agências, secretarias estaduais de transportes ou autarquias que cuidem de deliberar sobre o assunto.
A primeira mudança é quanto ao cadastramento, que a partir de sua vigência, deverá ser feito por termo de autorização que deverá ser publicado no Diário Oficial da União e conterá exigências feitas por ela e as punições por não cumpri-lo. Estas exigências podem mudar a cada recadastramento, já que a autorização vale por 3 anos e deverá ser renovada em até 45 dias antes da validade. Outra mudança, essa que tem sido contestada, faz com que as empresas - sobretudo as menores - deixem de participar do simples nacional, já que o contrato social deverá ser específico para transporte de passageiros, e sem ele desta forma, não tem autorização.
Veículo que presta o serviço interestadual de passageiros. Foto minha.
A seção III, art. 15 já começa a tratar os dois pontos mais polêmicos e dúbios de toda a resolução, a idade da frota e a proibição do uso de vans, esse último não é dúbio, mas é polêmico. O art. 15, diz o seguinte:
"Para a prestação do serviço objeto desta resolução, a autorizatária deverá utilizar veículo do tipo micro-ônibus ou ônibus, categoria aluguel com até 15 (quinze) anos de fabricação."(ANTT, Resolução Nº 4777, de 6 de Julho de 2015)
Muitos leitores, ao chegar neste ponto, fecharam a página e começaram a espalhar que a ANTT barraria qualquer veículo com mais de 15 anos de fabricação, lembrando que a idade de um veículo, dando origem a mais uma teoria da conspiração. Porém o capítulo 6, art. 66 desta resolução diz o seguinte:
"Sem prejuízo do disposto anteriormente, será admitida a utilização do veículo tipo ônibus, categoria aluguel, com mais de 15 anos de fabricação (...)." (ANTT, Resolução Nº 4777, de 6 de Julho de 2015, Adaptado)
A ANTT estabelece, no mesmo art. 66, um cronograma para a substituição:
Cronograma de substituição de frota. Autoria: ANTT, Resolução Nº 4777, de 6 de Julho de 2015.
Um pequeno esclarecimento: de acordo com o Art. 15, paragrafos 1, 2 e 3, esta é a fórmula para definir a idade de um veículo:
"§ 1º Para efeito de definição de idade do veículo, será considerado o ano de fabricação do chassi, constante do CRLV.
§ 2º Considera-se, para efeito de contagem da idade do veículo, a data de 31 de dezembro do ano de fabricação do chassi.
§ 3º Considera-se que o veículo completará um ano de idade no dia 31 de dezembro do ano seguinte à fabricação do chassi."
(ANTT, Resolução Nº 4777, de 6 de Julho de 2015, Adaptado)
Outro veículo que presta o serviço interestadual de fretamento. Foto minha.
Vamos para outro ponto, que não sei ao certo se é novidade, mas fica como aprendizado se não for:
A qualquer tempo no período de cadastro, a empresa pode pedir a inclusão de novos veículos, sendo o mesmo processo e documentação necessários no recadastramento. Em caso de venda do veículo, a antiga dona não precisa necessariamente dar baixa nele - embora este seja um procedimento que trará segurança na hora da venda - já que, caso a nova empresa vá cadastrar, basta apresentar a documentação atualizada e no nome da noca empresa, e a própria ANTT dará baixa para efetuar o recadastramento do veículo na nova empresa. Quanto a operação, no caso da modalidade turística (onde o veículo faz um circuito, parando em algumas cidades), qualquer mudança de roteiro deve ser comunicada, já mudanças de rota podem ser feitas sem aviso prévio.
Chegamos a outro ponto polêmico, sobre os micro-ônibus. Quanto a isso, a resolução é bem clara, serão apenas pra modalidade continua, passeios locais traslado, dentro da modalidade turística, desde que ida e volta somem 540km, o que dá 270km por sentido; e todos os veículos terão de ter sistema de monitoramento, cuja finalidade não ficou bem esclarecida neste artigo.
Micro-ônibus da Rouxinol Turismo. Estes veículos não poderão mais fazer fretamentos interestaduais que ultrapassem os 270km por sentido. Foto minha.
O sistema de emissão de licenças será novo, e terão de ser comunicados a troca de veículos, horário, roteiro e cancelamento da viagem, e caso o cancelamento ocorra 1 hora antes da viagem, o veículo não pode tirar nova licença pra viajar até que a ANTT aprecie o cancelamento anterior, o que ocorrerá no próximo dia util, o que significa que, caso a viagem seja cancelada na sexta, a apreciação, por conseguinte, a liberação, só vai ocorrer na segunda. A outra novidade é quanto a substituição de passageiros, que antes era limitada a 4 passageiros, agora será de 20% do total de passageiros relacionados, o que vai depender muito da lotação do carro. Em um cálculo básico, em caso de 30 passageiros transportados, 6 podem ser substituidos, em caso de 40, 8 podem ser substituídos, em caso de 46, 9 passageiros podem ser substituídos, e por aí vai. Após o carro chegar de viagem, uma nova licença só pode ser emitida depois da soma do tempo mínimo de conservação de limpeza mais o tempo mínimo de permanência no destino, portanto o tempo máximo para a emissão de licença para um mesmo carro é de 13 horas.
Dois veículos que fazem o serviço interestadual de fretamento. Foto minha
Outra novidade é que, caso você tenha um ônibus ou micro-ônibus e queira levar sua família ou seus empregados para uma viagem e não vai ter lucro algum prestando o serviço, você pode fazer isso de forma mais simples, basta declarar a ANTT que você está levando sua família ou empregados e que aquela viagem não lhe trará lucros. Isso valerá também para empresas não cadastradas na ANTT. Outro ponto polêmico é a obrigatoriedade de apólice de seguro de responsabilidade civil, que terá valor mínimo estipulado pela ANTT, o que garante que em caso de acidentes, o passageiro estará segurado. Lembrando que, como a própria resolução diz no Capítulo III, Seção IV, Art. 44:
"Parágrafo único. O seguro estabelecido não substitui nem se confunde com o seguro obrigatório DPVAT."(ANTT, Resolução Nº 4777, de 6 de Julho de 2015, Adaptado)
Outra novidade é que os motoristas não poderão fumar durante as viagens e nem apresentar sinais de alteração das capacidades psíquicas e motoras, nem se afastar do ônibus durante o embarque e nem atrasar a partida por conta própria.
Por fim, o CRF - Certificado de Registro de Fretamento e o sistema atual de emissão de licença seguem valendo. Nos últimos dias a ANTT abriu consulta para alterações na resolução, agora aguardemos pra ver o que acontecerá.
Agradeço a todos por terem lido, e até a próxima!!!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Algumas atualidades: Transpúblico e fim da São Geraldo

Olá amigos! Esta noite nós batemos a marca de 3 mil views no blog, agradecemos a todos os que visitaram, leram os textos meus e dos editores convidados que por aqui passaram, e que venham os 5k, 6k, 10k e por aí vai. Para hoje pela primeira vez estou fazendo um texto falando apenas de fatos que ocorreram nas ultimas semanas. Abordarei aqui sobre a Transpúblico, sobre o fim da São Geraldo e sobre uma volta que dei num El Buss 320 Volvo B58E. Boa leitura a todos!!!

  • Invictus, G7 1350 e Transpublico

Bom, no início de Setembro ocorreu em São Paulo a Transpublico, feira para empresários, técnicos e engenheiros em transporte, imprensa especalizada (onde acho que este blog se encaixa) e entusiastas/busologos/admiradores/o raio que o parta, e 2 lançamentos em especial chamaram bastante atenção: o Comil Campione Invictus, que mesmo tendo fotos e materiais de divulgação vazados pela imprensa (e disseminado entre os entusiastas quase instantaneamente) quase 1 semana antes do próprio lançamento na Transpublico, chamou muita atenção dos empresários e demais públicos presentes na feira.
Frente do Invictus. Foto: Jorge Thadeu Pacheco Ferreira/Ônibus Brasil

 O veículo adota um design arrojado e inovador, acompanhando as tendências de mercado (e advinhe, sendo chamado de cópia do G7 pelos fanboy[ola]s da Marcopolo), como a corcunda iniciada na frente e encerrada lá pelo meio do carro, e ao mesmo tempo resgatando detalhes de versões anteriores da própria linha Campione, como a coluna fina entre a 1 janela e os vidros da cabine, e o desenho da 1 janela com uma leve queda, ambos vindos do Campione II (antecessores da linha X/L). A primeira empresa que operará comercialmente o Invictus é a Novo Horizonte, da Bahia, que já opera várias carrocerias da Comil. Ela também estará de pintura nova, substituindo a atual, que tá aí desde que me conheço por gente.
Traseira do Invictus. Foto: Jorge Thadeu Pacheco Ferreira/Ônibus Brasil
Outro lançamento é o G7 1350, que já havia sido lançado em 2012 no México. Quando foi lançada a linha G7 (ainda em 2009), a Marcopolo simplesmente não fez a versão de 3,8 metros, mas ele (juntamente com LD e DD) ainda podia ser pedido na linha G6 até 2011, quando foram lançados os G7 LD e DD. Empresas como União e Andorinha, compradoras assíduas do G6 1350, foram obrigadas a apelar pro G7 LD. Porém só em 2015 a Marcopolo preenche essa lacuna, fechando a linha G7 6 anos depois de seu lançamento.
Primeiro G7 1350 fabricado para uma empresa. Foto: Jovani Cecchin/Ônibus Brasil
O design não tem muito o que ser comentado, pois é o que tá nas rodoviárias desde 2009.  A feira teve muito mais coisas, como o Solar 3400 e os UDAs prateados de São Paulo, mas sobre esses também não há muito o que falar.
Porém infelizmente há aqueles que vão apenas pra fazer bagunça e mancham a busologia, como um grupo que ficou brincando de trocar letreiros até a bateria de um dos UDAs acabar, um aí que foi expulso da feira por briga, outro que teve a pachorra de dizer na frente do representante da Comil que o Invictus era a cópia do G7, aqueles que chingaram as modelos, e os que pediram pra renomados empresários paulistas para sair da frente pra fotografar. E o pior ainda vem por aí: um deles teve a coragem de fazer suas necessidades fisiológicas no G7 1350 e segundo boatos, um ejaculou no Invictus! A feira é uma coisa seríssima pra alguns zé ruela tratar desta forma.

Solar 3400. Foto: Felipe Alves/Ônibus Brasil

  •  Enquanto isso, em Belo Horizonte...

Enquanto em São Paulo acontecia a Transpublico, aqui em BH ocorreu a Mostra de Profissões da UNA, e a minha escola foi convidada. O ônibus da minha turma foi um Busscar El Buss 320 Volvo B58 da Anna Clara Turismo. O carro chamou minha atenção por estar bem conservado, diferente de outros com a mesma idade, que estão detonados ou surrados.
Carro da Anna Clara a qual fui na excursão. Foto minha, desculpem a qualidade, foi bem corrida.
Quando entrei, tive uma grata surpresa: ele estava inteiramente original por dentro: o forro do teto, as luminárias, o assoalho, os bancos, os cinzeiros estavam limpos, aquele forro da poltrona era original também, o bagageiro interno e as indicações de poltrona, as cortinas, e ele conserva o prefixo antigo na tampa do itinerário (que também é originalmente bipartido), indicando que ele foi o 9770 da Saritur. Quando o motor funcionou pude ouvir o som do B58 por alguns poucos kms, pois logo chegamos a universidade. A volta foi mais rápida, mas só de ter andado um pouco eu gostei demais dele. Queria ter andado mais, mas foi o que deu, então ok.
Detalhe do carro que citei. Novamente desculpem a qualidade, foto de celular.

  • Processo de insolvência da São Geraldo

Eu já havia finalizado o texto na semana passada, mas tive que fazer essa parte: Mais uma vez uma resolução da ANTT faz parte do blog (e não será a última), dessa vez é a resolução 4845, publicada anteontem (16/09/2015) no Diário Oficial da União, que se trata da anuência para o início do processo de insolvência, ou incorporação da Companhia São Geraldo de Viação, ou apenas São Geraldo. Outra vez tem sido propagados alguns equívocos a respeito, e de novo vamos desmentir aqui: a São Geraldo não faliu, é apenas o processo de incorporação dela.
Carro da São Geraldo chegando a Belo Horizonte. Foto minha.
O processo também não vai começar amanhã, pois a resolução se trata apenas da autorização para a Gontijo fazer o que bem entender da empresa, e embora fontes na empresa dizem que isso será feito de forma rápida e que desde Janeiro deste ano já se esperava que esta resolução saísse, então ainda veremos a São Geraldo firme e forte nas estradas por no mínimo mais 3 meses, pois a frota, a estrutura e o material humano são de grandes proporções.

Dois carros da São Geraldo e um da Gontijo parados no Euronav de Camanducaia. Foto minha.
 Lembrando que no ato da compra, uma das cláusulas do contrato previa que durante 10 anos após a aquisição ser efetivamente concretizada - o que ocorreu no ano de 2004 - a Gontijo deveria manter o layout e a marca São Geraldo, e no ano passado estes 10 anos expiraram. Apesar de dolorido para vários entusiastas, esse é o mundo corporativo, pra Gontijo é logisticamente inviável manter 2 empresas, e as 2 já são quase 1 só, as diferenças são muito poucas. E só um esclarecimento, o Grupo Gontijo só é dono 100% da São Geraldo, nas demais é apenas participação societária majoritária.
Agradeço a todos por terem lido, e até a próxima!!!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Busologia desde a infância - por Tiago Baldan

Olá amigos, boa noite! Sem maiores delongas, vamos direto pro texto, feito por Tiago Baldan. Boa leitura a todos!!!
Olá amigos. Gostaria de agradecer o convite para escrever no Blog e contar um pouco da minha história com ônibus e o hobby. Minha história com ônibus começou desde criança, no Rio de Janeiro, meu estado natal em que morei até aos 11 anos de idade, após isso mudei para o Espírito Santo, onde moro atualmente. Na infância sempre reparava modelos de ônibus e algumas marcas de chassis que sempre tiveram na minha cabeça, e que sou fã até hoje como a Volvo e Scania, nos segmentos urbano e rodoviário. Os modelos que mais ficaram marcados em minha memória até hoje são os:
Ciferal Alvorada Volvo B58, da Viação Rio Ita
Urbanus Scania da Rio Ita, por raras vezes o vi rodar, mas com seu ronco estrondoso.
Urbanus Scania Viaçao Rio de Janeiro, que se não me engano ia pra Magé.

Alem dos carros da Viação Mauá, em que eu morava perto do ponto final das Linhas 422M E 37.
Havia na época Marcopolo Torino 83.
Ciferal Alvorada.
E quando me mudei pra Vitória, estavam chegando nas linhas os Torinos 89.
Os dois modelos abaixo que rapidamente saíram de circulação por serem bem velhos:
Condor
E bem raramente os Veneza II, até cheguei a andar com meus pais.
Modelos marcantes de empresas na época em pegava estrada como Tribus II e III da Itapemirim, isso das viagens que lembro:

Algumas vezes embarcando da Rodoviária Novo Rio, eu tinha o sonho, mas nunca realizado de andar um Flecha Azul da Viação Cometa da época.
Então ficou o ronco dos K112 e K113 de lembrança na memória e alguns Tribus II da Itapemirim e Viaçao Penha que viajei com o mesmo chassi Scania, na estrada.
Lembranças dos carros como o Ciferal Líder da Itapemirim, é que alguns carros tinha uma espécie de painel de led na época (que na verdade eram lâmpadas no formato da logo) na traseira do carro, embaixo do ar e que ficava com a logo da Itapemirim acesa, em que se reconhecia naquela escuridão da estrada. 
Outros modelos, como os Diplomatas Scania pela antiga São Geraldo.
Diplomatas Scania da 1001, que tinha bastante.
Por raríssimas vezes de ver os Diplomatas da Mirim e seus chassis personalizados da época. 
Monoblocos O371
E mais tarde os O400...
Então por anos e anos viajando entre RJ e ES com carros que hoje são nostalgia em ver e rever. Fiquei bastante tempo observando ônibus, mesmo já morando no ES, por bastante aqui em minha rua, os urbanos que passavam. Existiu uma boa diversidade por alguns anos, com carros de motor traseiro nas linhas troncais e motor dianteiro nas linhas alimentadoras no sistema Transcol capixaba. Hoje não há mais essa divisão e todos os carros são de motor dianteiro, com exceção dos articulados. Mas a minha preferência sempre foi os rodoviários, na qual tenho admiração pela Itapemirim, já que viajei por muitos anos e que infelizmente a Kaissara assumiu a linha RJ X ES em abril de 2015. 
Em 2013, fazendo pesquisas pela internet para tentar achar modelos de minha época de infância, que descobri o hobby na qual estou hoje. Já fiz viagens por conta do hobby e aproveitando visitas a minha família no RJ E MG, também fiz cliques conhecendo as principais capitais da região Sudeste como SP. Os estados que gosto de visitar são SP e MG, ambos têm uma diversidade legal de empresas nos dois segmentos urbanos e rodoviários. Ambas rodoviárias eu gosto, apenas a engenharia de embarque e desembarque de BH que não é unificada e tem que andar muito na rodoviária pra não perder os cliques. Já em SP no Tietê é bacana a saída dos carros e o estacionamento do mangueirão.
Além do evento VVR na qual conheci o Flecha Azul citado lá em cima e que meio que foi um sonho realizado.

Foram viagens bacanas em que conheci muitas pessoas pelo hobby até hoje.
Essa é um pouco de minha historia pelo hobby de ônibus.
Valeu!!!
Agradeço a todos pela leitura e por ter prestigiado nosso amigo Tiago Baldan, abraços e até a próxima!!!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Conhecendo a Volvo na 262 (Texto 2)

Olá amigos, boa noite! Hoje terminando essa pequena série sobre a minha viagem ao Espírito Santo, agora o retorno a BH. Recomendo a vocês lerem o primeiro texto, em especial quem pretende comprar o carro (que por 210 mil dilmas pode ser seu), já que ele foi colocado a venda hoje mesmo pela Needs Tur. Portanto boa leitura a todos!!!
Como disse no texto anterior, fui a Marechal Floriano para um evento, e após o fim de semana era hora de voltar. Pra mim não seria muita novidade quanto a carro, estrada, mas pro pessoal que tava no Sem Fronteiras 1420, Comil Campione HD Scania K400IB, a expectativa do retorno era grande, pois durante a chegada ao local onde o evento ocorreria, o vidro da última janela do lado esquerdo quebrou, então todos queriam saber como ficaria, mas nisso eu volto depois. Após o encerramento das atividades, levei as malas pro ônibus e ajudei o pessoal a fazer o mesmo, por que o ônibus estava parado muito longe de onde o povo estava. E nessa ajuda com as malas, vi que o jeito para o carro da Sem Fronteiras foi simplesmente um grande adesivo pra segurar, já que era feriado e obviamente ninguém que trabalha com vidros de ônibus em Vitória (40km a frente) estaria a disposição naquele feriado. Depois de todos embarcarem, saímos de lá para voltarmos a Belo Horizonte. Daquela vez nós eramos os últimos, e rodariamos sozinhos durante toda a viagem. A saída foi tranquila, de início ficamos atrás de vários caminhões, mas o motorista veio acelerando bem o carro. Muita gente dormiu, pois todos nós havíamos acordado 6:00 da manhã, foi aí que tentei gravar o áudio. No texto anterior, esqueci de mencionar que toda vez que eu ia pras últimas poltronas, que estavam vazias (as minhas coisas e as da minha mãe, na hora de ir, ficaram jogadas na poltrona do lado. Jogadas mesmo), alguém que tava quieto resolvia puxar papo comigo ou alguém resolvia aparecer por lá. Na volta foi a mesmíssima coisa, então não rolou áudio.
Comboio Needs Tur. Eu estava no terceiro da esquerda pra direita. Foto minha.
 O ônibus estava se desempenhando muito bem pelas serras, mesmo pesado deu conta do recado, veio bem, provando que o B12B é um excelente chassi, aguenta o tranco mesmo. Por volta de 13:15 chegamos a Realeza pro almoço. Almoçamos, desta vez a comida tava boa, e ficamos esperando o pessoal acabar. Quando todos acabamos, saímos de Realeza, e nesta parte da viagem, eu dormi, acordei bem pra frente de Rio Casca, já quase na serra do Macuco. No ônibus a converss tava fluindo, e aí eu resolvi abrir o Speedometer (antes que alguem pergunte, é um velocímetro pra celular, quem quiser baixar basta clicar aqui pra poder baixar da Google Play) no celular pra medir a velocidade. Até aí, tudo ok, velocidade normal: 80, 90, até que as coisas... ops, velocidades começaram a esquent... ops, subir. O carro atingiu na boa os 95, 97, 100, chegando a máxima incrível de 105,4km por hora (medido pelo GPS do celular), bela velocidade pra estréia na Volvo. Infelizmente não demoramos muito a entrar na 381, estrada cujo traçado prejudica o desenvolvimento da viagem ao máximo (na ida, foram 2 horas perdidas por causa desse trecho). Paramos no GRAAL de João Monlevade, onde encontrei dois amigos fotografando (um deles já até usei fotos no blog), depois comprei alguma coisa pra complementar o que já tinha, e embarcamos de volta, finalmente para Belo Horizonte.
Carro em que viajei ao Espírito Santo. Foto: Mairo Magalhães/Ônibus Brasil
O trecho já não teria muitas novidades, porém o tradicionalíssimo congestionamento de fim de feriadão acabou minando qualquer possibilidade de novidade. Já que nesse trecho não houve novidades na viagem, vamos então a análise do conjunto:
- Meu neto, vai me Busscar em casa hoje?
- Volvô!
Depois dessa piadinha prassódia, vou mesmo pra análise. O ônibus é muito confortável, ainda tendo 46 lugares, espaço foi a última coisa que pensei em faltar, ainda mais que a lotação não estava completa, tinham aproximadamente 38 pessoas no ônibus. O motorista andou bem, quando pedido andou na pressão o tempo todo, como no trecho Realeza - Marechal Floriano, dominava demais o giro alto, conduzindo com toda a maestria necessária, o motor trabalhou muito bem, mesmo o carro pesado ele foi bem, e em trecho de serra ainda. O único defeito foi que o ar condicionado é muito barulhento, mas nada que estragou a viagem. Por volta de 20:40 a viagem se encerrou, ficando as boas lembranças, e o anseio de repetir a dose na Volvo.
Muito obrigado a todos que leem, que gostam dos meus textos, e graças a esse reconhecimento dado a vocês, no ultimo sábado recebi um convite para ser entrevistado pelo canal Club Mundo Rodoviário, para falar acerca do blog, da minha parte o convite tá aceito e falta apenas marcar a data. Até a próxima!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Conhecendo a Volvo na 262 (Texto 1)

Olá amigos! Boa noite a todos! Hoje vou iniciar uma pequena série, de 2 postagens, sobre minha viagem ao Espírito Santo feita em Junho, onde usei um formato de 2 textos da mesma viagem, sendo um texto totalmente independente do outro (diferente do Uma volta de MOVE, onde o texto foi dividido em 2 partes depois que acabei de redigi-lo). No texto de hoje relato a viagem de ida, onde tive o primeiro contato com o Volvo B12B. Boa leitura a todos!!!
Quem já me acompanha desde os primeiros textos, sabe que em boa parte deles há o fator INDECISÃO de partes importantes das viagens que só são decididos 1 dia ou horas antes da viagem, mas que não trago ao blog, como muitas vezes o ônibus, algumas partes cruciais e em algumas vezes até a própria viagem fica por decidir 1 dia antes da viagem propriamente dita (como ocorreu na viagem a Ouro Preto). Mas dessa vez a proposta da viagem surgiu poucos dias antes do meu aniversário (em março) e a confirmação dali a uns poucos dias, em Abril. Porém, o ônibus que eu iria e a empresa eu só saberia no momento do embarque. Naquela viagem, que era a primeira de ônibus do ano, havia a expectativa de alguns jejuns seriam encerrados: depois de 5 anos eu iria voltar ao Espírito Santo de ônibus (última foi aquela viagem de cabrito, que postei no Carnaval, depois disso só fui de carro), também depois de 5 anos eu pararia no GRAAL Monlevade, depois de 3 anos voltaria a parar no Barrigão em Realeza, e iria ser minha primeira viagem interestadual totalmente diurna, assim eu conheceria o temido, perigoso, sinuoso e traiçoeiro trecho Belo Horizonte - João Monlevade a luz do dia. O trecho, eu conheço muito bem, e depois da Fernão Dias, é um dos trechos que mais gosto de rodar, e apesar de eu rodar nele há quase 1 década, as circunstâncias que tornariam aquela viagem especial (estas que não cabem aqui no blog. Segue o jogo). Finalmente o grande dia chegou: 05 de Junho de 2015. No dia anterior arrumei a mala, zerei a camera, preparei um lanche e fui dormir na expectativa que o tempo avançasse logo pra 6:30. Acordei cedo, finalizei a bagagem e saí pro local de embarque, de carro (não sem antes parar na padaria e comprar pão de queijo). Eu estava na expectativa de saber qual ônibus seria, claro que haviam palpites (um desses, feito por um amigo 2 dias antes da viagem, foi o unico certeiro, e mesmo assim em partes. Digamos que ele "cantou a pedra"), mas era agora que eu ia ver, e quando virei a rua do local de embarque, vi 1 ônibus da Sem Fronteiras, um Comil Campione HD Scania K400IB, carro 1420 e 2 ônibus da Needs Tur, empresa que eu ja conhecia, e vocês também, do texto Tem um pouco de viagem no meu aperto. Os carros dela eram um Comil Campione HD Volvo B11R, carro 3300 e um Buscar Jum Buss 400P Volvo B12B, carro 3100. Uma certeza tive naqueles minutos que separaram minha chegada e o embarque: ou seria a segunda vez na Scania (Ana Paula Padrão sobre Scania: "você provou, aprovou e já pode repetir"), ou finalmente a estréia na Volvo. Procurei meu ônibus e descobri que seria o Jum Buss, finalmente iria estrear na Volvo (já tava passando da hora de estrear também né galera), quem ia no Scania era meu irmão e minha cunhada (eles estavam indo para o mesmo lugar que eu e minha mãe).
Carro em que viajei. Foto minha.
 Me identifiquei, entreguei a mala para identificação, recebi minha credencial de acesso ao evento que eu iria participar, e aí pude entrar no ônibus e marquei meu assento, naquele dia eu iria de 33 (e minha mãe, de 34). Enquanto eu esperava o restante do pessoal entrar, liguei a internet e tentei confirmar o chassi, ano de fabricação e procedência dele. Mas como minha internet tava lenta, perguntei o Gabriel Freitas (do Desenhos de Ônibus de Goiás) em um grupo e ele me confirmou que sim, era um B12B, era ano 2001 e tinha pertencido a Catarinense, era o carro 2206 lá. Depois disso, a viagem se iniciou, e só aí fui perceber que meu cinto não estava ali, estava atrás da poltrona. Foi preciso vir mais umas 3 pessoas para auxiliar, mas tirei o cinto de lá. De início o motorista foi tranquilo, andando de acordo com a velocidade, mas entrou no Anel Rodoviário ele começou a deitar, e só voltou a andar bem ao entrarmos na BR-381. Fomos andando nela tranquilamente, até ter um acidente antes do Trevo de Caete. Foi uma hora parados no mesmo lugar, eu fiquei muito entediado, levantei várias vezes, a sorte é que meu celular atual já é econômico em bateria (se fosse meu antigo só Jesus na causa), e eu ainda tomei algumas medidas de economia, então dava pra mexer numa boa. Depois do acidente, ainda tinha a lentidão na estrada por causa das obras de duplicação da 381, de forma que apenas 11:40 conseguimos desenvolver bem. Neste momento consegui uma proeza incrível, patrocinada pelas poltronas Busscar: eu dormi sem estar cansado e sem estar com sono (3 horas de viagem e eu domi um tempo ligeiramente bom). Acho que essa foi a viagem que mais vi gente dormindo com frequência, toda hora tinha um dormindo, era raro estar todos acordados ao mesmo tempo, isso por que o carro é 46, se fosse 44 aí seria difícil ficar geral acordado. Parte do segundo jejum estava encerrado fazer o trecho BH - João Monlevade. Eu já tinha visto um vídeo time lapse que o Fabiano Teixeira (do canal Fabiano na Estrada [e nos simuladores] no YouTube, eu pelo menos gosto bastante, inscrevam-se no canal dele, pois pra nós que produzimos conteúdo pra internet, os views são fundamentais) fez da estrada, conseguiu se aproximar e ficou ótimo, mas pessoalmente o visual é muito mais bonito. Por causa do horário, o responsável pelo nosso ônibus, mais os dos demais (incluindo o Needs Tur 2700, Marcopolo Paradiso GV'6 1450LD Scania K124IB, que vinha de Contagem e se juntou ao pequeno comboio formado) conseguiram um desconto no almoço em um restaurante próximo ao GRAAL, então paramos pra almoçar no Gaúchão Grill em João Monlevade. Após o almoço, seguimos viagem por volta de 13:20. Agora a viagem ia render, porém o jejum de viagens interestaduais totalmente diurnas iria continuar, pois a previsão de chegada fora forçadamente revista, para o período da noite. Até ali, não se sabia a hora exata: apenas que iriamos chegar a noite. Naquele trecho o ônibus desenvolveu bem, mas ainda não conseguiu acompanhar os outros carros da mesma empresa (recapitulando, um GV'6 LD K124IB e um Campione HD B11R, o Sem Fronteiras estava pra trás. Bem pra trás). Ele desceu bem a Serra do Macuco (o único grande desafio pro conjunto no trecho João Monlevade - Realeza), e seguiu apresentando um excelente desempenho. O ar condicionado barulhento, que não deixava eu ouvir o motor do B12B, deu uma folga próximo a Rio Casca, e aí pude tentar ouvi-lo. Ele era bem silencioso, não baixo como o K420, mas silencioso mesmo, mas ainda sim um som imponente. Por volta de 16:30 chegamos a Realeza, ali tirei umas fotos dos poucos ônibus que estavam la, que eram justamente os nossos, mais dois Jum Buss 360, um da Gontijo que chegou no Rio x Petrolina e um da São Geraldo, na reserva, e outros 2 G7, um da Gontijo e outro da São Geraldo, também na reserva. Depois, partimos finalmente com destino a Marechal Floriano, faltando apenas 200km, e estavam abertas as apostas do horário de chegada: uns previam 23 horas, outros previam 22 horas, e eu previa a chegada as 20:30, talvez o mais otimista. O motorista voltou da parada na pressão, e dessa vez conseguindo acompanhar os demais.
Foto do carro na área onde o evento foi realizado. Foto: Pedro Henrique Ferreira/Ônibus Brasil
Em Manhuaçu ficamos parados 20 minutos, aguardando o Campione HD B11R colocar óleo no carro, e aí eu refiz a aposta. Depois de ficarmos a toa no posto e perdendo preciosos minutos, finalmente seguimos viagem. Nessa parte eu fiquei mais no fundo do carro conversando com uns amigos (como foram aproximadamente 38 pessoas, vários lugares ficaram vagos no fundo, então acabou se formamdo um pequeno lounge enquanto os ocupantes estavam acordados),  e ouvindo o B12B, enquanto ele acompanhava - muito bem - o B11R. Agora sim ele tava andando na pressão, e mostrando a força do motor. Porém como nem tudo são flores e muita coisa não dá pra ser do modo que programamos, anoiteceu completamente assim que entramos no Espírito Santo e tive que continuar cultivando minha origem noturna, mas ainda tava bacana de ver ele andando. Antes mesmo de Ibatiba, um dos momentos que eu mais aguardava, aconteceu: finalmente o comboio Needs Tur (2700, 3300, 3100) se formou na BR-262. Seria mais legal se o carro da Sem Fronteiras estivesse junto, mas ele mais uma vez ficou pra trás. Bem pra trás. Eu havia marcado uma estratégia: não importava em qual cidade estivéssemos e o tempo previsto, assim que chegassemos a Venda Nova... do Imigrante (se você mora na região de Venda Nova em Belo Horizonte, sinta-se trollado), todas as previsões anteriores seriam zeradas e faltaria apenas 1 hora até o destino. Como fui obrigado a refazer todos os cálculos, graças ao congestionamento, tomei uma atitude inédita em toda a viagem, calcular a quilometragem e o tempo previsto no Google Maps: faltavam 117 km e de acordo com a previsão do Google, 1h47 até a chegada, arredondei pra 2 horas. Antes que você feche a página, por tentar raciocinar e se perder: faltavam 58 km pra Venda Nova do Imigrante, previsão de conclusão do trecho era de 1 hora, e de lá, como eu disse anteriormente, todas as previsões seriam zeradas, faltariam 59 km, previsão de conclusão do trecho também era de 1 hora. Agora sim, creio que você vai continuar lendo este texto até o fim. Porém, depois de Ibatiba, um sono forte me tomou de assalto (compreensível, pois viagem diurna cansa, e aqui já chegavam a 10 horas de viagem e não tinha nada pra ver além das janelas do Jum Buss) e dormi, foi até bom, por que ia ser um tédio não ver nada e ninguém pra conversar (meus amigos dormindo, minha mãe idem, internet com sinal bem instável). Acordei apenas em Venda Nova do Imigrante (sem troll agora), e comemorando, afinal, daqui até Marechal, com todas as previsões devidamente zeradas, faltava "apenas" uma hora.  Foram os 59 km mais longos de todas as viagens recentes, e mesmo com o motorista andando na pressão total, não chegava a Marechal Floriano, parece que cada quilômetro se multiplicou por 10. Exatamente as 20:33 finalmente se encerrou a viagem de ida, após 12 horas e 15 minutos, muitas risadas, conversas, e finalmente conhecendo a Volvo.
Muito obrigado a todos por terem lido, e temos novidades! A partir de amanhã vou reativar minha galeria no Ônibus Brasil, porém ele será vinculado a este blog e no momento as atualizações serão no dia seguinte as do blog (ou seja, sábados). Até a próxima!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Campanha "Eu Não Mereço Ser Queimado" - Por Felipe Vitor e Tayná Alencar

Boa noite pessoal! Diferentemente dos demais meses, onde geralmente busólogos a convite produzem textos sem assuntos pré-definidos para o blog, neste mês convidamos o grupo de busólogos paulistas que idealizaram a campanha "Eu Não Mereço Ser Queimado" para falarem da campanha. Boa leitura a todos!!! (P.S.: Nesta postagem, os padrões que eu uso não devem ser levados em consideração)

  • A CAMPANHA

           A campanha “Eu Não Mereço Ser Queimado” surgiu após o motorista da Viação Santa Brígida, John Carlos Brandão de Andrade, de 42 anos, ser queimado por vândalos dentro do coletivo de onde ele trabalhava, no bairro do Jaraguá, na Zona Norte paulistana. Funcionários da mesma empresa onde o motorista trabalhava mobilizaram-se contra a violência urbana sofridos frequentemente e utilizaram cartazes e protestos para chamar a atenção das autoridades.
Ônibus totalmente destruído pelas chamas após ataque de criminosos no bairro do Jaraguá, Zona Norte de São Paulo, em 18 de outubro de 2014.  Este coletivo era o instrumento de trabalho do motorista John Carlos Brandão de Andrade, de 42 anos, que foi queimado junto com o mesmo e faleceu quatro dias depois de sofrer queimaduras de 3° grau.
         Após o falecimento do condutor, no dia 22 de outubro de 2014, funcionários de várias empresas de ônibus da cidade abraçaram a causa e fizeram manifestações por toda a parte, cobrando os governantes por mais segurança no trabalho.
           Mais tarde, alguns entusiastas do transporte se sensibilizaram com a campanha e a morte trágica de John, assim criando a página “Eu Não Mereço Ser Queimado” no Facebook e compartilhando fotos e informações nas redes sociais.
          O objetivo da campanha é conscientizar a população, de que queimar ônibus pode gerar prejuízos, tanto para as empresas quanto para os próprios usuários e funcionários castigados pela violência, além de cobrar as autoridades punições mais severas para quem comete o crime de  vandalismo e/ou assassinato, de acordo com o Artigo 163, do  Código Penal Brasileiro.

Veículo da Santa Brígida sendo incendiado em São Paulo.
  • CASO JOHN CARLOS BRANDÃO
Motorista John Carlos Brandão
 No dia 18 de outubro de 2014, o motorista John Carlos segue para mais um dia de trabalho, na linha 8047/41 (Jaraguá – Metrô Vila Madalena), a de costume.  Por volta das 18h30 daquele sábado, John estava trafegando pela Estrada Turística do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo quando um grupo de oito pessoas obrigou o motorista a parar o ônibus em que guiava. Assim que parou o coletivo, os moradores logo obrigaram todos a desembarcarem e espalharam combustível pelo mesmo. John, que precisou voltar ao veículo para tentar salvar seus pertences, foi impedido pelos meliantes, que jogaram gasolina em seu corpo e atearam fogo junto ao seu instrumento de trabalho, ficando com 80% do corpo queimado. John não resistiu e faleceu quatro dias após ficar internado em estado crítico no Hospital São Mateus, na Zona Leste paulistana.
          Ele era casado e pai de cinco filhos. Atualmente, a família sobrevive de ajuda de doações e com muitas carências. 
  •  CAUSAS
Vários veículos incendiados na cidade de São Paulo.
                  Entre 2014 e o primeiro semestre de 2015, mais de 300 veículos foram vandalizados somente na cidade de São Paulo, sendo 176 coletivos queimados até então. Os principais motivos dos incêndios são:
 - Morte de morador de uma determinada região, principalmente por reação a operações da polícia; Populares se revoltam para pedir justiça e descontam a vingança queimando ônibus, acreditando que dessa forma irão chamar a atenção do Governo;
- A precariedade dos serviços públicos, como falta de luz e de água, enchentes, falta de saneamento básico, entre outras coisas.
          No meio desse fogo cruzado entre policiais e justiceiros, estão os trabalhadores que dependem do transporte público para ganhar o pão de cada dia. 
Além de circularem com medo, os usuários do transporte coletivo sofrem com a diminuição do número da frota circulante e com a mudança de percurso de algumas linhas (estratégia usada por algumas empresas para tentar fugir da violência). Para as empresas que operam o sistema de transporte, os atos geram perda financeira – e o prejuízo não é pequeno - já que o preço dos coletivos varia de R$ 300 mil a R$ 1 milhão.
Valorize seu bem público, não vandalize nem destrua o que é seu. Vandalismo é um ato egoísta e irracional, que poderá prejudicar milhares de pessoas, inclusive a você mesmo.
Muito obrigado por terem lido, curtam a página no Facebook e divulgue a seus amigos. Até a próxima!!!