sexta-feira, 19 de junho de 2015

Itapemirim e Pluma, o que elas tem em comum?

Olá amigos, boa noite! Após 2 semanas de folga, estou de volta. Hoje era pra ser um editor convidado, porém por razões pessoais ele não pôde produzir o texto, mas como o blog deve seguir, farei um paralelo sobre a história e o momento atual de 2 empresas renomadas no mercado: Pluma Conforto e Turismo e Viação Itapemirim S/A. Boa leitura a todos!
Itapemirim e Pluma, o que elas tem em comum? Sobre elas muitos só sabem que são ícones do transporte rodoviário sul-americano, que estiveram a frente do seu tempo e estão em um grupo de empresas rodoviárias que mais sentiram o momento de crise que estamos vivendo, algumas fecharam, algumas venderam e transferiram linhas pra empresas parceiras ou não e outras estão com suas contas exauridas, operando regularmente (e não apenas nas altas temporadas, onde é comum empresas financeiramente sólidas usarem este expediente) veículos que foram fabricados no início ou no meio da década de 1990. Porém, muita coisa as duas tem em comum, desde o início de ambas, nos anos 50. A Itapemirim começou pela persistência de seu fundador, Camilo Cola, que já iniciou tendo de criar soluções, por que as peças para os ônibus eram importadas e vinham apenas do eixo Rio - São Paulo, então ele mesmo fazia suas carrocerias.
Varios carros da Itapemirim em Crato/CE. Foto: Acervo Itapemirim - JC Barboza/Ônibus Brasil
A Pluma, ainda como Transportes Galioto, nos primeiros anos também se viu forçada a criar soluções: uma ponte que era a única ligação entre o Rio Grande do Sul e o resto do país quebrou, e ela não podia entregar os vinhos. Assim, eles se viram obrigados a lançar mão da criatividade, e assim criaram o único vinhoduto do mundo, que basicamente era uma mangueira de 600 metros, por ela iam os vinhos vinham para serem distribuídos e voltava álcool, vindo de São Paulo. Suas histórias de expansão foram parecidas, ambas foram incorporando empresas e crescendo pela América do Sul. Enquanto a Itapemirim comprava empresas e concessões e ia desbravando o nordeste brasileiro e rotas importantes no Sul e Sudeste, a Pluma fazia o mesmo, porém ela se fortalecia pelo sul do país e ia desbravando os países vizinhos e o Chile.
Ônibus da Pluma no Chile, foto da década de 90. Foto: Colorado/Ônibus Brasil
 Naqueles anos onde o país estava imerso em uma ditadura militar, vivenciando a censura de novelas, peças teatrais e até mesmo canções, vivendo também um milagre econômico e avanços em várias áreas, várias empresas faziam parte de um grupo que se fortalecia, criava respeito entre os clientes e que naqueles anos construíram os alicerces de suas grandezas, como Gontijo, São Geraldo (a união das duas veio ocorrer somente entre 2003 e 2004, mas em outro momento vou contar essa história aqui), Águia Branca, Cometa, 1001, Pluma e Itapemirim, entre tantos outros nomes fortes, conceituados e lembrados pelos busologos e até mesmo por cidadãos comuns. A Itapemirim decidiu por fabricar suas próprias carrocerias, fundando assim a Tecnobus, que produziu ônibus, caminhões e furgões para o serviço de cargas. Enquanto a Itapemirim vivia colhendo os frutos de seu trabalho pesado, a Pluma sofreu um revés: viu sua sede ser consumida pelo fogo, em 1986, mas deste ela se reergueu.
Carro da Pluma, carro que integra a frota internacional da empresa. Foto: Marcelo Castro.
Os anos 1990 foram tranquilos, a Itapemirim trazia inovações como o ônibus de 2 classes, o semi-leito, porém ela cometeu um grande erro, chamado Itapemirim Cargo: a estrutura da empresa era boa, ela também fez história naquele nicho, porém por falta de estudo de mercado, ela fechou as portas, mas nos anos 2000 que estas chegaram ao estado que vemos. A Itapemirim parou de produzir suas carrocerias, a Pluma passou ao controle acionário do grupo paulista Vale do Sol, e os anos foram passando. Em 2008 falece Ignez Cola, esposa de Camilo Cola. Os filhos externalizaram uma disputa entre eles que já existia há anos e foram pra justiça, por causa da herança da mãe, e isso gerou o bloqueio de uma parte do dinheiro da empresa. Sem dinheiro, a empresa lentamente foi decaindo, ano após ano.
Carro da  Leads arrendado pela Itapemirim. Foto: Bruno Studer/Ônibus Brasil
Entre 2011 e 2013, com vários veículos do fim dos anos 1980 e dos anos 1990 rodando, os passageiros já exigiam renovação. Assistindo a queda do número de passageiros das ligações Sudeste (sobretudo Rio e São Paulo) - Nordeste, perdidos para a aviação comercial e para os ônibus clandestinos e sem capital para renovar, primeiro ela arrendou veículos da Leads, da família Luft, a época donos do Grupo Garcia, porém o contrato acabou ela se viu obrigada a se desfazer de suas concessionárias Mercedes-Benz Samadisa, vendidas para o Grupo Águia Branca. Como forma de pagamento, receberam boa parte de sua renovação de frota: a primeira parte dos novos G7 1200 Facelift O500RSD, estes sim são da Itapemirim. Mas ela também fez um contrato de leasing com a Júlio Simões, recebendo o resto de sua renovação de frota.

Carro da Itapemirim, da renovação de frota da empresa. Foto minha.
Enquanto a Itapemirim renovava, a Pluma já estava imersa em um mau momento. A Pluma começava a sofrer com a renovação de frota de suas concorrentes, enquanto suas muitas concorrentes adquiriam os ônibus mais modernos existentes no Brasil, ela seguia com sua frota dos anos 1990 e início dos anos 2000 operando regularmente, sendo bombardeada com reclamações dos clientes. A situação de lá ate hoje não mudou muito pras duas empresas não. Mas 2015, com a crise econômica, trouxe para as duas empresas apenas coisas que elas NÃO precisavam: recessão e queda de faturamento, deixando-as em situação extremamente delicada. Porém a Itapemirim se viu obrigada a vender ônibus e muitas linhas a sua parceira Kaissara, oficializada pela resolução ANTT 4662, de 10/04/2015, o que gerou apreensão entre a busologia, pois dizia-se que era o fim da Itapemirim, portais conceituados de várias partes do país apregoaram isso (menos este aqui), o que na verdade era uma venda de linhas e 40% da frota.
Double Decker da Pluma. Foto: Anderson Barreto Santos de Almeida/Ônibus Brasil
1 mês depois a Pluma vendeu algumas de suas linhas para a Nordeste. A oficialização via resolução ANTT 4705, de 13/05/2015 gerou um efeito pior: muitos apregoaram o fim da empresa, colocando até datas e as substitutas dela em suas linhas. No caso da Itapemirim, a transferência de linhas para a Kaissara se deu a partir do dia 04 deste mês, já no caso da Pluma, a transferência foi concretizada no dia de ontem (19 de junho). A verdade é que acima dos boatos, ambas passam por difíceis situações, a Pluma numa situação muito mais delicada, porém a concorrência é implacável e não perdoa, então elas terão de se virar para superar este momento. Só o tempo dirá quem seguirá e quem dará adeus as estradas.
Muito obrigado a todos por terem lido, e até a próxima!