sexta-feira, 31 de julho de 2015

Campanha "Eu Não Mereço Ser Queimado" - Por Felipe Vitor e Tayná Alencar

Boa noite pessoal! Diferentemente dos demais meses, onde geralmente busólogos a convite produzem textos sem assuntos pré-definidos para o blog, neste mês convidamos o grupo de busólogos paulistas que idealizaram a campanha "Eu Não Mereço Ser Queimado" para falarem da campanha. Boa leitura a todos!!! (P.S.: Nesta postagem, os padrões que eu uso não devem ser levados em consideração)

  • A CAMPANHA

           A campanha “Eu Não Mereço Ser Queimado” surgiu após o motorista da Viação Santa Brígida, John Carlos Brandão de Andrade, de 42 anos, ser queimado por vândalos dentro do coletivo de onde ele trabalhava, no bairro do Jaraguá, na Zona Norte paulistana. Funcionários da mesma empresa onde o motorista trabalhava mobilizaram-se contra a violência urbana sofridos frequentemente e utilizaram cartazes e protestos para chamar a atenção das autoridades.
Ônibus totalmente destruído pelas chamas após ataque de criminosos no bairro do Jaraguá, Zona Norte de São Paulo, em 18 de outubro de 2014.  Este coletivo era o instrumento de trabalho do motorista John Carlos Brandão de Andrade, de 42 anos, que foi queimado junto com o mesmo e faleceu quatro dias depois de sofrer queimaduras de 3° grau.
         Após o falecimento do condutor, no dia 22 de outubro de 2014, funcionários de várias empresas de ônibus da cidade abraçaram a causa e fizeram manifestações por toda a parte, cobrando os governantes por mais segurança no trabalho.
           Mais tarde, alguns entusiastas do transporte se sensibilizaram com a campanha e a morte trágica de John, assim criando a página “Eu Não Mereço Ser Queimado” no Facebook e compartilhando fotos e informações nas redes sociais.
          O objetivo da campanha é conscientizar a população, de que queimar ônibus pode gerar prejuízos, tanto para as empresas quanto para os próprios usuários e funcionários castigados pela violência, além de cobrar as autoridades punições mais severas para quem comete o crime de  vandalismo e/ou assassinato, de acordo com o Artigo 163, do  Código Penal Brasileiro.

Veículo da Santa Brígida sendo incendiado em São Paulo.
  • CASO JOHN CARLOS BRANDÃO
Motorista John Carlos Brandão
 No dia 18 de outubro de 2014, o motorista John Carlos segue para mais um dia de trabalho, na linha 8047/41 (Jaraguá – Metrô Vila Madalena), a de costume.  Por volta das 18h30 daquele sábado, John estava trafegando pela Estrada Turística do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo quando um grupo de oito pessoas obrigou o motorista a parar o ônibus em que guiava. Assim que parou o coletivo, os moradores logo obrigaram todos a desembarcarem e espalharam combustível pelo mesmo. John, que precisou voltar ao veículo para tentar salvar seus pertences, foi impedido pelos meliantes, que jogaram gasolina em seu corpo e atearam fogo junto ao seu instrumento de trabalho, ficando com 80% do corpo queimado. John não resistiu e faleceu quatro dias após ficar internado em estado crítico no Hospital São Mateus, na Zona Leste paulistana.
          Ele era casado e pai de cinco filhos. Atualmente, a família sobrevive de ajuda de doações e com muitas carências. 
  •  CAUSAS
Vários veículos incendiados na cidade de São Paulo.
                  Entre 2014 e o primeiro semestre de 2015, mais de 300 veículos foram vandalizados somente na cidade de São Paulo, sendo 176 coletivos queimados até então. Os principais motivos dos incêndios são:
 - Morte de morador de uma determinada região, principalmente por reação a operações da polícia; Populares se revoltam para pedir justiça e descontam a vingança queimando ônibus, acreditando que dessa forma irão chamar a atenção do Governo;
- A precariedade dos serviços públicos, como falta de luz e de água, enchentes, falta de saneamento básico, entre outras coisas.
          No meio desse fogo cruzado entre policiais e justiceiros, estão os trabalhadores que dependem do transporte público para ganhar o pão de cada dia. 
Além de circularem com medo, os usuários do transporte coletivo sofrem com a diminuição do número da frota circulante e com a mudança de percurso de algumas linhas (estratégia usada por algumas empresas para tentar fugir da violência). Para as empresas que operam o sistema de transporte, os atos geram perda financeira – e o prejuízo não é pequeno - já que o preço dos coletivos varia de R$ 300 mil a R$ 1 milhão.
Valorize seu bem público, não vandalize nem destrua o que é seu. Vandalismo é um ato egoísta e irracional, que poderá prejudicar milhares de pessoas, inclusive a você mesmo.
Muito obrigado por terem lido, curtam a página no Facebook e divulgue a seus amigos. Até a próxima!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Flecha 7455: A lenda, O mito

Olá amigos, boa noite! Após 28 dias sem postagens por motivos pessoais, estamos de volta e em grande estilo: hoje nosso assunto é o Flecha Azul 7455, que em 2013 fez viagens especiais, e como não poderia ser diferente, estive neste grande momento e hoje trago como foi a minha experiência a bordo dele para vocês. Esta postagem é dedicada a todos os fãs da Cometa, em especial a Otávio Silva, Renato de Oliveira, Wilson Míccoli, a Comunidade Oficial da Cometa, ao Clube do Flecha Azul/Dinossauro e aos autores das fotos usadas na postagem: Pai de Wellington Barbosa, Wagner Ivanesken, Anderson Abreu, Nerilton F., Bruno Studer, Alberto Gomes Vale e Leadnro Macedo . Boa leitura a todos!
Tarde de sexta-feira, 11 de Outubro de 2013. Eu me preparava para ir até a Rodoviária de BH, mas não era para viajar ou para uma sessão noturna de fotos, eu estava indo para ver de perto A LENDA, O MITO: Cometa 7455, CMA Flecha Azul VII Scania K113CLB ano 1999, o último Flecha 113 fabricado (os últimos Flechas foram os carros 7500 e 7501, que foram os únicos a terem o motor K124IB) e que, diferente de todos os outros que foram vendidos e estão no Turismo ou transporte clandestino Nordeste x SP, esse foi totalmente customizado: ganhou Ar Condicionado, Wi-Fi, teve todos os bancos trocados por bancos de couro, ganhou a pintura original, porém cromada, ganhou de volta o desenho do Cometa na traseira, o nome Cometa em alto relevo na frente, como nos velhos tempos.
Flecha 7455 ainda na sua primeira pintura. Foto: Acervo Wellington Barbosa (Pai do mesmo)
 E exatamente isso estava atraíndo pequenas multidões para as rodoviárias, em todas as cidades por onde ele já houvera passado, ele era o centro das atenções por onde estava, todos queriam fotos com ele. Enquanto aqui em Belo Horizonte eu me arrumava, ele estava na BR040, vindo do Rio, com lotação máxima, composta por busologos, fãs da Cometa e do Flecha Azul e pessoas comuns que tiveram várias histórias e momentos vividos a bordo do Flecha Azul e que queriam aproveitar as últimas viagens do Flecha Azul no transporte rodoviário.
7455 com a pintura da "Nova Cometa". Foto Wagner Domingos Ivanesken/Ônibus Brasil
Saí de casa por volta de 17:20, por enquanto de carona. Dessa vez, por causa da previsão de chegada do 7455 (18:00, caso fosse pontual) e temendo que retenções pudessem me impedir de ver o carro, optei por ir de carro até a Estação Eldorado e em seguida, pegaria o Metrô até a Estação Lagoinha, em seguida atravessando uma passarela e chegando na rodoviária. Em especial naquela sexta-feira o trânsito estava intenso por todos os lados, foi uma "mão-de-obra" qualificada pra chegar no Metrô.
7455 durante a restauração. Foto: Anderson Abreu/Ônibus Brasil
Já era por volta de 17:50 quando cheguei ao Metrô, e enquanto descia vi que já tinha perdido um trem. Desci, passei pelas catracas, e subi pra plataforma. Esperei a composição impacientemente, até que não muito tempo depois uma composição que tinha chegado da Vilarinho chegou, pegou a gente e saiu. No trem (lotado) eu estava ansioso para chegar a Lagoinha, enquanto isso vi só o trânsito parado, apenas confirmando que meu temor da retenção estava certo. Já era noite quando o trem chegou a Estação Lagoinha, pondo fim a viagem de metrô. Caí no viaduto e atravessei-o, finalmente chegando a Rodoviária. Fui em direção a entrada do desembarque, onde já tinham alguns amigos busologos, então me juntei a eles para esperarmos pelo carro. Uns 25 minutos depois chegou um carro da Gardênia que tava preso no trânsito, provando pela segunda vez que eu estava certo em ir de metrô.

7455 antes de ser polido. Foto: Nerilton F. Ônibus/APBus/Ônibus Brasil
Por volta de 19:50, apontou na Contorno, virando na Paulo de Frontin, a lenda, o MITO 7455. Brotaram busologos até dos paralelepípedos do chão da rodoviária; quando o carro encostou, uma pequena multidão - composta pelos passageiros que chegaram no carro, busologos, fãs da Cometa e do Flecha Azul, pessoas comuns que tiveram várias histórias e momentos vividos a bordo do Flecha Azul, passageiros e funcionários das Viações e da rodoviária - cercou o carro, para fotografar e entrar nele, conversar e tirar fotos com os motoristas Marcos e Ricieri. Foi uma grande e involuntária homenagem a memória do transporte rodoviário e ao mesmo tempo uma confraternização da busologia, já que todos ali estavam unidos em prol do Flecha.

7455 após a restauração. Foto: Bruno Studer/Ônibus Brasil
 Após quase 40 minutos ali, quase o dobro do tempo máximo liberado para desembarque, ele foi embora. Foi muito bom entrar nele, vê-lo de perto. É uma pena o fato de eu não ter conseguido andar nele, mas fiquei feliz apenas de participar da confraternização. Subi feliz as escadas da rodoviária, para ir até meu ponto pegar o ônibus e voltar pra casa... Não, perae pô, esse não foi o fim!!!

Foto da traseira do 7455. Foto: Alberto Gomes Vale/Ônibus Brasil
Conversando com um dos motoristas pouco depois da chegada do carro (obviamente os fatos das últimas frases eu inventei, fiquei na plataforma de desembarque o tempo todo que o 7455 esteve ali, e embarquei nele), ele deixou que eu, vários amigos e alguns que vieram nele do Rio fossemos no 7455 até a garagem. Sim, ele foi embora, mas eu estava a bordo, eu estava tendo a mesma experiência que vários haviam tido nas 53 viagens anteriores e nessa a qual ele estava encerrando. Conversamos muito no ônibus, principalmente sobre CMA, Flecha Azul e Scania, conversa que foi praticamente regida o tempo todo pelo líder da Comunidade Oficial da Cometa (reconhecida pela própria empresa), Wilson Miccoli. Ele não é "apenas" o líder da Comunidade Oficial, ele também é um entendedor do que tava em pauta ali no 7455.

Painel do 7455. Foto minha.
Na Via Expressa, apareceu um CMA que passou a nos acompanhar, fazer jogo de setas pro motorista, então descobrimos por intermédio do Wilson que o CMA que estava nos acompanhado era conduzido por um fã e ex-motorista da Cometa. Sem demora - infelizmente - chegamos a garagem da Cometa, porém não era o fim ainda. Lembram-se daquele CMA que estava acompanhando o 7455? 

Flecha Azul ex-9017, que andamos depois de termos andado no 7455. Foto: Leandro Macedo/Ônibus Brasil
O motorista levaria aqueles que vieram pra BH no 7455 até um restaurante para jantar e deixaria alguns amigos no Metrô. Pra mim iria ajudar muito, então fomos no CMA Flecha Azul VIB Scania K113CLB, ex-9017, que conservava a configuração leito. Foi outra volta legal. Chegamos a Estação Eldorado e agora sim voltei pra casa, feliz e satisfeito de ter conseguido andar no mítico 7455.
Agradeço a todos pela leitura, muito obrigado a todos e até a próxima!