sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Andando de executivo no dia mais quente da história de BH

Boa noite amigos!!! Hoje é o ultimo texto de minha autoria que vem ao ar em 2015, e nada mais justo que encerrar com o estilo de texto que iniciei o ano: diário de bordo. No texto de hoje falo sobre o dia que fui andar de ônibus executivo, dia que coincidentemente foi o mais quente de toda a história de Belo Horizonte e envolveu uma mini missão impossível, ar condicionado e uma ida a Cidade Administrativa. Boa leitura a todos!!!
Fazia muito calor em Belo Horizonte naqueles dias, e a esperança de alívio nunca vinha. Como eu havia um passe que havia achado, na sexta-feira (06/11/2015) resolvi me refrescar e testar o serviço executivo, que custa módicos 6,40, que opera com Caio Foz Super II Mercedes-Benz OF1722M/59, de cor cinza claro e escuro, que conta com mimos como Ar Condicionado com escotilhas individuais, Wi-Fi, poltronas turismo fixas, TV, Cortinas e bagageiro interno. Tentei procurar um amigo para me acompanhar no trajeto, mas a falta de tempo deles ou os 6,40 acabaram fazendo com que eu tivesse de ir sozinho. Um pouco antes de sair, resolvi conferir o horário, e vi que as partidas dele são de 35 em 35 minutos, ou seja: eu teria 80 minutos pra sair da minha casa, na região do Barreiro, descer no Chevrolet Hall e ir a pé até a Rua Alagoas, número 1485, uma caminhada de 750 metros, pois eu sairia de casa 12:30 e o ônibus executivo partiria 13:50. Saí de casa, como sempre nos ônibus de sempre, e eu fui no ônibus com uma amiga, que estava indo a aula. Durante a ida, eu estava ligado no SIU Mobile BH (app que dá pra ver em quanto tempo o ônibus chegará ao ponto, clique aqui para baixar em seu smartphone Android com versão acima da 2.1 e aqui para baixar em seu iPhone com versão acima da 6.0) conversando com os amigos, e como não havia nenhuma partida prevista após 13:00 no SIU, perguntei a um amigo quais seriam as próximas partidas, e ele disse que era 12:56 e 13:02, e aí eu falei que ia no das 13:02. Cheguei a Estação Diamante, comprei uma coisa, depois comprei o cartão unitário, inseri na catraca e passei. O carro 30402, um Apache S22 OF1722M da Bettania Ônibus, já estava parado e dando embarque. Como já tava quase na hora dele sair, só tirei uma foto mais ou menos e entrei. Pontualmente as 13:02 ele saiu.
Carro que utilizei até perto de onde peguei o executivo. Foto: Moises Magno.
O motorista, pro meu mais puro azar, era deitão. Até em descida o cara me inventava de deitar, até no Anel Rodoviário ele deitou, só que ele se mostrou um motorista com habilidade de escapar de prováveis retenções (o que me salvou pra carvalho), já que no Anel em um dos pontos ele ultrapassou duas carretas pela esquerda, e no retorno para pegar a BR-356 sentido BH ele repetiu a manobra, mas ali ultrapassamos veículos de passeio e um ônibus da Saritur. Mas depois ele voltou a deitar. No BH Shopping, uma pequena retenção, ele se desvencilhou facilmente. Mas chegando no Ponteio Lar Shopping, o trânsito parou. Mas outra vez, a sorte mostrou estar do meu lado e saímos rápido do trânsito. E finalmente o motorista havia resolvido acordar pra vida, por que ali ele andou rápido. Exatamente as 13h42 desci no Chevrolet Hall. A parte do trajeto feita por ônibus estava encerrada, mas faltava a parte a pé. Eram 750 metros que deveriam ser percorridos. Segundo o Google Maps, o trecho deveria ser percorrido em 10 minutos. Mas eu tinha apenas 8 minutos extremamente contados, então larguei o folhas e fui andando mesmo assim. O primeiro desafio era atravessar a Nossa Senhora do Carmo em segurança. Como eu ainda não podia, e até hoje (10/11/2015, dia que estou escrevendo esse texto) ainda não posso voar, o jeito foi aguardar para fazer a travessia na faixa. E essa era a travessia mais demorada que havia visto tipo, na vida. Foram 2 preciosos minutos perdidos, eu não tinha pra onde fugir (eu estava ilhado no meio da Nossa Senhora do Carmo, era sair e ser atropelado) e menos tempo pra caminhada, que a aquela altura teria de virar corrida mesmo. Apressei o passo ao máximo que pude, porém eu tinha outra travessia: a da Contorno antes da Cristóvão Colombo. Eu devo ter perdido mais um minuto que eu não tinha, mas entre chegar na Alagoas e chegar no João XXIII, a Alagoas tava infinitamente mais perto, então esperei. Consegui atravessar e fui andando bem rápido, mas quando vi um executivo chegando, comecei a correr pra caramba, fui, e quando cheguei o 60010, um Foz Super II OF1722M da Sidon, estava já de portas fechadas, mas ainda estava parado. Dei 3 batidinhas na porta e o motorista abriu (sem bruxaria nenhuma).
Ônibus executivo que utilizei naquele dia. Foto: Tiago Baldan.
Muito atencioso, ele respondeu uma pergunta que o fiz, paguei e passei. E fui prestando atenção ao ônibus. Todas as cortinas estavam fechadas, os bancos pareciam de ônibus rodoviários, todos tinham encosto para o braço. Ele estava vazio, só havia eu e uma passageira a bordo. O ônibus enfim saiu do ponto, e fomos rodando. A primeira impressão é que mesmo sendo 1722, não ficou devendo nada. O ônibus entrou na Cristóvão Colombo e pegamos mais um passageiro. E demos segmento a viagem. Na Afonso Pena pegamos os últimos 2 passageiros e fomos rumo a Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais. O ônibus andou muito bem pelo trajeto, realmente não ficou devendo nada em desempenho, nem parecia que eu estava em um 1722. O que realmente faltou foi o Wi-Fi funcionar bem (ele existia, mas o sinal era fraco demais), mas fora isso, foi um excelente passeio ao som de 98 Futebol Clube e Ricardo Amado. A viagem durou 47 minutos ao todo, foi um bom passeio, com um visual muito bom, e que pretendo repetir em breve. Chegando na Cidade Administrativa, resolvi dar um passeio, afinal, eu tava lá mesmo, seria injusto ver tudo só do ônibus e ir embora. Como o SE01 deixou perto do PC da linha interna, tomei o 08, um Caio Millenium BRT Scania K250UB, e desci do outro lado. Vim andando por entre os prédios, passei no Centro de Convivência, e depois fui embora. Após esperar um pouco, iniciei a volta pra casa.
Ônibus interno da Cidade Administrativa que utilizei. Foto: Flávio Oliveira.
Até a Estação Vilarinho fui de 642, no carro 10259 da Milênio, o carro tava muito bom, bem limpo, e foi vazio até. Na Vilarinho tomei um lanche, por que ninguém é de ferro, e ~1h me esperava no 6350. Voltei e peguei o carro 30638, um Caio Millenium BRT Mercedes-Benz OF1724L BT5 pertencente a Viação Zurick, na linha 6350. O mais curioso é que em 17 de Outubro eu havia ido pra um outro rolê com um amigo e voltamos neste mesmo carro, na viagem de 16:00. E menos de 1 mes depois, estava eu ali de novo, andando naquele carro na mesma viagem. O carro estava muito bom, o Ar tava gelando bem (padrão Zurick) e os passageiros eram bem calmos. Porém as retenções fizeram com que o trajeto durasse 75 minutos, chegando 17:15 até o Barreiro. Desci e vi um ônibus chegando pra dar embarque no 330. Atravessei o bloqueio e fui pegar ele, era o carro 40123 da Transoeste Transportes, e torcendo pra mim conseguir chegar num local onde o 330 e o 310 tinham trajetos semelhantes antes do 310, pra eu trocar de ônibus. Mesmo espremido na porta e com a mochila presa pra fora, fui, afinal de contas, tinha hora pra cumprir. Consegui fazer esse trajeto a tempo, e peguei o 310, pondo fim a um rolê regado a Ar Condicionado.
Agradeço a todos por terem lido, e até a próxima!!!

sábado, 5 de dezembro de 2015

O Transporte Coletivo Impecável: Até onde é responsabilidade da Autarquia e até onde é responsabilidade do usuário? - por Freddy Mendes

Olá amigos, boa tarde!!! Hoje postando atrasado por motivos de força maior, mas mesmo assim postando. E hoje vamos com um texto de autoria de Freddy Mendes, onde ele faz uma análise sobre o transporte coletivo. Sem mais delongas, vamos ao texto. Boa leitura a todos!!!

Mobilidade Urbana: Um tema que tem ganhado a atenção das pessoas, até pela implantação de muitos BRTs, seguindo o modelo de Curitiba (que cá entre nós, se não fosse à briguinha política continuaria o melhor do país), obras em prol da copa e tudo mais. Concessão de Metrô, VLT, obras do tipo.  E o que tem de gente que virou especialista de uma hora para outra não é brincadeira. Até a imprensa dá seus palpites. Mas o que me incomoda mais nisso tudo é que, infelizmente, tudo agora é peixe eleitoral. O tema popularizou, a copa foi embora. E aqui em Belo Horizonte, o BRT Move ficou.
Avenida Santos Dumont, no Centro de BH. O fluxo da avenida passou a ser exclusivamente do MOVE. Foto: Luísa Zottis/EMBARQ Brasil
E foi o grande divisor de águas de Belo Horizonte. Porque finalmente o BHBUS conseguiu bater sua meta, que é implantar o modal tronco-alimentador. 18 anos depois de sua implantação... Mas é aquele velho ditado: Antes tarde do que nunca. Talvez você, caro leitor, tenha consciência da importância desse modelo. Talvez não tenha a menor ideia do que eu estou falando. Mas é importantíssimo lembrar que Belo Horizonte precisa pra ontem ampliar o que já foi começado e claro, ter muitas melhorias e manter seu potencial pra tirar de Curitiba o posto de melhor BRT do Brasil.

“Mas Freddy, isso é possível?”

Sim, é. Estruturalmente falando, o Move é mais flexível do que o BRT de Curitiba, do Rio de Janeiro, entre outros. Isso dá um poder que os outros sistemas não têm que é de estabelecer conexões diretas entre os vários corredores da cidade. Parece pouco, mas dá um leque de opções para o cara que tem que desenvolver e projetar todo o sistema. E dá condições também para que a população em si tenha iniciativa em participar do sistema, propondo novas linhas, sugerindo trajetos, ligações e coisas do gênero. É lindo. E depois, o Sistema de Curitiba vem num declínio assustador, por conta de desavenças políticas.

Entretanto, eu vejo muita gente reclamando mundos e fundos do transporte coletivo por ônibus de uma maneira geral. Mas não movem um único dedo para mudar o que está ruim. Especialmente quando se tem tantas possibilidades como há no Move. O que eu vejo são pessoas reclamando ao vento. E reclamar ao vento, não dá.

Eu falo disso porque senti no Move parte da solução para o caos que era o transporte coletivo de Belo Horizonte. Tanto que fiz sugestões pontuais, que foram encaminhadas. Sugestões que a meu ver tornariam o sistema completamente integrado, permitindo com que o cliente do sistema consiga ir do Pedra Branca (extremo norte) até o Alameda da Serra (extremo sul) na mesma tarifa. Falo isso não com intuito de me gabar ou coisas do tipo, mas pra levantar uma questão que no fundo é interesse de todo mundo, mas ninguém tira tempo pra debater: O quão participativo nós somos nessa questão? O que nós fazemos de efetivo ao invés de reclamar aos quatro cantos que o sistema esta ruim?

Nada.

Pois é, NADA. O pior é que, além disso, as pessoas meio que “se desculpam” se baseando no argumento de que se fosse Metrô seria diferente. Eu acho que não. Digo mais, eu TENHO CERTEZA que não. Por duas razões:

1º - Ou são muito manipulados por meia dúzia de gatos pingados, ou não há o mínimo de interesse em saber qual é a real essência do tema. O importante de todo conceito não é envolver Metrô, BRT, ônibus convencional, Monotrilho, VLT e afins. O que tá todo mundo esquecendo é que qualquer sistema de transporte coletivo, independente de seus modais, precisa garantir que o cliente do sistema se desloque de qualquer lugar para qualquer lugar numa mesma tarifa. Vai além de um simples “se mover”. E a escolha entre um BRT ou Metrô é uma discussão secundária, que vai com as características de cada cidade. E hoje, BH começa a ganhar isso.

2º - A falta pela busca de informações e consequentemente suas conclusões sem fundamento. Também conhecido como o papel de palhaço. Tem gente que adora fazer isso. Especialmente quando se trata do entrave da obra do Metrô. Há quem diga que a L1 não chega a Betim porque a Santa Edwiges não deixa, e que o SETRA-BH não deixa o metrô ser expandido na capital. E nessas vezes eu me sinto como se eu fosse a única pessoa capaz de pensar nessas horas. Eu vou levar a questão por um único lado. Se isso não for o suficiente, você não tem salvação: Acham mesmo que o SETRA-BH, passando o aperto que tá passando por conta de um arremate de veículos que girou em torno de 300 milhões de reais vai ter condições financeiras de impedir uma obra bilionária, como é a do Metro-BH? Só precisamos dessa resposta.
Foto: Luísa Zootis/EMBARQ Brasil
É rapaz, cada criança igual a essa que está na foto saiu em média 700 mil reais. Temos quase 200 veículos desse tipo para o serviço.

E aqui, por não ser o tema principal do blog, nem convém entrar no lado técnico sobre o Metrô. Aí, numa cultura onde a gente vive esperando que o governo dê as coisas pra todo mundo ao invés de tomar uma iniciativa, é melhor acreditar numa situação autoimune, que é a teoria da conspiração, do que se levantar, e pensar alguma coisa. Eu fiz. O Eric Fez. E aí, vai fazer também ou vai reclamar da vida o tempo todo? Por mais que a sua ideia possa parecer inviável naquele momento, dela pode nascer algo que vá melhorar a vida de outras pessoas. Por isso, não se acanhe. Sabe aquela ideia que você tem? Trabalha nela, vê locais, entenda demanda, mande pra autarquia e coisas do tipo. Vai lá e prova que sua ideia vale a pena. De repente, juntar a associação de moradores no meio. Faça qualquer coisa. Mas faça alguma coisa. É melhor do que ficar reclamando para o vento de que as coisas estão ruins.

Outra coisa: Não faça por mim. Faça por você. Afinal, a responsabilidade da Autarquia e do Município é de fazer funcionar. A responsabilidade por opinar e dar ideias é sua.

Por enquanto é só, galera.

Abraços,
Freddy Mendes.
Agradeço a todos por ter prestigiado o texto do Freddy, peço desculpas pelo atraso, abraços e até a próxima!!!